Os Cheiros da Infância

Imagem: josidewes

Segue um artigo interessante, gentilmente cedido por Arnaldo V. Carvalho,  sobre os cheiros  e a infância – aqueles que permanecem em nossa memória e o quanto eles influenciam em nossas escolhas, em nosso bem estar e nos tratamentos que utilizam os aromas.

Os Cheiros da Infância

Por Arnaldo V. Carvalho

Ainda me lembro dos cheiros da minha avó. O cheiro que ela tinha, um doce perfume de velhinha, que me fazia adormecer quando nela recostava, no banco de trás do carro de passeio que nos conduzia de volta para casa após um dia animado em um local de veraneio.. Me lembro do cheiro das coisas que ela usava em seu banheiro: o frasco de laquê, o ruge… Me lembro do cheiro do pudim de leite que ela fazia. Não era de leite condensado, era leite mesmo! Lembro do cheiro da ambrosia no fogo, na época do aniversário do meu avô, e dos misturados cheiros do velho casal na cama onde, por vezes, eu ia para ouvir histórias de pássaros coloridos, macacos japoneses e ratinhos espertos.

Todo mundo pode escrever muitas e muitas linhas sobre os cheiros da infância. Está marcada para sempre aquela rua onde ao passar se sente o cheiro dos jasmins ou da dama-da-noite. O tronco da árvore onde se subia, da casca da tangerina sendo aberta para comermos. A passagem por uma área rural e o cheiro do cocô de vaca, do cocô de cavalo, da titica das galinhas. O cheiro da borracha e demais itens de papelaria, da gasolina, do desinfetante que se usava em casa. Cheiro da casa de um tio. Cheiro do brinquedo novo, da gente do campo, da água de poço, dos temperos dos sítios vizinhos…

Evocar um cheiro é evocar histórias. Histórias de um tempo de surpresas, vida, fantasias, interrogações e espontaneidade. É na infância que se constroem valores… E para cada um deles existem cheiros associados. Assim, dentro de cada um, pudim vira carinho, peru vira fartura, gasolina lembra passeio, borracha de lápis lembra independência, plástico novo torna-se brinquedo, que sempre é coisa boa e tem a ver com coisa divertida, com gratidão e com sentimento de simplesmente ter algo para si.
 

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Você conhece o Cerrado brasileiro?

por Suzy Belai

O cerrado brasileiro é o segundo maior bioma do Brasil ocupando cerca de 1/5 do território nacional, sendo o primeiro a Amazônia.

Sua vegetação é diversificada, apresentando desde formas campestres bem abertas como os campos limpos de cerrado, até formas relativamente densas, florestais, como os cerradões.

Sua biodiversidade é que chama a atenção, porém a devastação está acontecendo cada vez mais rapidamente e ainda há carência de estudos a respeito da identificação de plantas e dos recursos terapêuticos das plantas medicinais do cerrado. Estima-se (Ratter et all., 1997) que aproximadamente 40% deste bioma já foi extinto, não sendo mais possível estudá-lo.

Você quer saber que planta vem sendo estudada como anticoncepcional masculino? Continue lendo, clique aqui.

H1N1 e viroses

por Suzy Belai

Muitas informações vêm sendo veiculadas na internet. Algumas espalhando um terror disfarçado, outras menosprezando, outras ainda servindo de des-serviço à saúde pública. Porém, existem blogs, sites e mensagens que ajudam a conscientizar e são verdadeiramente úteis.

Nesta época do ano (outono), os dias são quentes e as noites mais frias. Época que  exige um maior cuidado, principalmente com crianças e idosos.

É importante observar que as pessoas mais propensas a ficarem gripadas, com dengue, molusco contagioso, entre outras viroses, são aquelas que estão com a imunidade baixa, na maioria das vezes devido ao estresse, alimentação inadequada (muito açúcar, sal, refrigerantes, químicos…), falta de uma atividade prazeirosa, atividade física, de sono, terapia… enfim, não resistem às oscilações do ambiente.

Então o que fazer?

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Outonos e Primaveras

Por Pe. Fábio de Melo
A arte das sementes de morrer em silêncio

Primavera é tempo de ressurreição. A vida cumpre o ofício de florescer ao seu tempo. O que hoje está revestido de cores precisou passar pelo silêncio das sombras. A vida não é por acaso. Ela é fruto do processo que a encaminha sem pressa e sem atropelos a um destino que não finda, porque é ciclo que a faz continuar em insondáveis movimentos de vida e morte. O florido sobre a terra não é acontecimento sem precedências. Antes da flor, a morte da semente, o suspiro dissonante de quem se desprende do que é para ser revestido de outras grandezas. O que hoje vejo e reconheço belo é apenas uma parte do processo. O que eu não pude ver é o que sustenta a beleza.

A arte de morrer em silêncio é atributo que pertence às sementes. A dureza do chão não permite que os nossos olhos alcancem o acontecimento. Antes de ser flor, a primavera é chão escuro de sombras, vida se entregando ao dialético movimento de uma morte anunciada, cumprida em partes.

A primavera só pode ser o que é porque o outono a embalou em seus braços. Outono é o tempo em que as sementes deitam sobre a terra seus destinos de fecundidade. É o tempo em que à morte se entregam, esperançosas de ressurreição. Outono é a maternidade das floradas, dos cantos das cigarras e dos assovios dos ventos. Outono é a preparação das aquarelas, dos trabalhos silenciosos que não causam alardes, mas, que, mais tarde, serão fundamentais para o sustento da beleza que há de vir.

São as estações do tempo. São as estações da vida.

Há em nossos dias uma infinidade de cenas que podemos reconhecer a partir da mística dos outonos e das primaveras. Também nós cumprimos em nossa carne humana os mesmos destinos. Destino de morrer em pequenas partes, mediante sacrifícios que nos fazem abraçar o silêncio das sombras…

Destino de florescer costurados em cores, alçados por alegrias que nos caem do céu, quando menos esperadas, anunciando que, depois de outonos, a vida sempre nos reserva primaveras…

Foto: Weislaw Jan Syposz